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Paginário

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“Eu sou livro (ou um livre pensador) para ser devorado num fim de semana”. O trecho da poesia de Armando Freitas Filho está grifado, numa página colada a uma parede do Centro, na cidade do Rio de Janeiro. Em volta, há pedaços de clássicos como “Madame Bovary” e “O alienista“.

O título da coleção é Paginário – um painel literário que, desde o mês passado, tem detido os passantes para fazer, por instantes, o que diz a poesia: devorar o livro aberto na esquina. Não é o primeiro mural do tipo no Rio. Mas é o mais novo, numa ladeira que, desde 2015, artistas transformam em galeria a céu aberto.

O Paginário nasceu em 2013, inspirado na Escadaria Selarón, na Lapa: em vez de azulejos, páginas de livros. Seus criadores dizem que a proposta é levar a literatura para a rua e gerar uma experiência de leitura não tradicional, “onde se inserem a geografia, o trajeto diário e a vida comum”.

O escritor Leonardo Villa-Forte, um dos idealizadores, diz que quer colar literatura na vida das pessoas: “É um trabalho de leitura e, ao mesmo tempo, de visualidade. À medida que a pessoa se aproxima, descobre que pode ler”.

Colaboradores mandam para o coletivo que produz os murais, cópias de páginas de seus livros favoritos. Os painéis também surgem de encontros e oficinas. Depois, é carregar baldes de cola para cobrir algum lugar com literatura.

Moradora do Centro, a funcionária do Ministério da Cultura Vera Castro se deteve em frente a “Da Morte, odes mínimas”, de Hilda Hilst, na Ladeira do Castro. “Ao invés de Morte/ Te chamo Poesia/ Fogo, Fonte, Palavra viva/ Sorte”, dizia a estrofe.

“Dá vontade de ficar aqui lendo”, suspirou Vera. “O que acho sensacional é ver moradores de rua parando para ler. Muitos escrevem seus próprios textos”, afirma Rodrigo Lopes, também integrante do coletivo.

Fonte:http://extra.globo.com/